Maracanã

Maracanã

sábado, 31 de janeiro de 2009

mil beijocas da Cida pra vcs!!!



Dia da Saudade - 30 de janeiro



Saudade

Pablo Neruda


Saudade é solidão acompanhada,


é quando o amor ainda não foi embora,


mas o amado já...


Saudade é amar um passado que ainda não passou,


é recusar um presente que nos machuca,


é não ver o futuro que nos convida...


Saudade é sentir que existe o que não existe mais...


Saudade é o inferno dos que perderam,


é a dor dos que ficaram para trás,


é o gosto de morte na boca dos que continuam...


Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:


aquela que nunca amou.


E esse é o maior dos sofrimentos:


não ter por quem sentir saudades,


passar pela vida e não viver.


O maior dos sofrimentos


é nunca ter sofrido...




sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Feliz ( nunca mais despedidas)



Feliz ( nunca mais despedidas)
vem pra ser feliz...
vem sim, meu aprendiz...
vem então, e me diz sim...
não quero mais ouvir seu não...
o tempo é curto, a vida breve...
verão com sol, inverno com neve...
entra estação, sai estação,
procuro tua luz no meu colchão,
quero teu sorriso no meu ouvido,
tua presenção na minha emoção...
vem logo, fecha a minha cicatriz,
sara meu partido coração,
faz alguma coisa em meu benefício,
vamos recomeçar do nosso início,
um encontro no Jack's, um beijo doce,
um novo amor só nosso, como se fosse,
a estréia, pois naquele dia, era ensaio,
por isso, agora, vem com tudo,
com disposição de sucesso na temporada,
vamos romper cada alvorada,
abraçadinhos, satisfeitos, iluminados,
chega desse tempo de saudade, dias desajeitados,
desconforto de madrugadas solitárias e compridas,
precisamos recomeçar do zero, com novas medidas,
a primeira delas, por decreto e solução,
nunca mais, never more, jamás otravez, despedidas...
Aparecida Torneros

Pagu, música de Rita Lee

Pagu
Rita Lee
Composição: Rita Lee e Zélia Duncan

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta...

Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem
Nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...

Ratatá! Ratatá! Ratatá!
Taratá! Taratá!...

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Uh! Uh!
Fama de porra louca
Tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém
Uh! Uh!...

Não sou atriz
Modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...

Nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...(2x)

Ratatá! Ratatatá
Hiii! Ratatá
Taratá! Taratá!...

Cida Barbara Pagu...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

filme...closer...

CLOSER ( perto demais)

Perto demais

http://br.youtube.com/watch?v=ygGvkCYK42I&feature=related

se encostar demais
vai dar choque,
chocadeira
choradeira
de mulheres iguais

se encostar por um segundo
talvez ela lhe dê o mundo
talvez lhe roube a paz
talvez lhe devolva o senso...

se encostar por um minuto
quem pode segurar seu rosto tenso
diante de um sentimento imenso
que o atropela como um tornado?

se encostar por uma hora
e ela não o deixar ir embora,
pense no futuro que é agora,
descubra a magia tão sonora
de um amor maior, alucinado...

se encostar por dias, semanas, meses,
ao longo de anos e décadas, às vezes,
nem vai conseguir discernir prazeres
vão virar uma bola de neve com haveres
e haverá de se intrigar como ultrpassou
tanto tempo ao lado dela, e nem notou...

melhor não chegar tão perto, ser distante,
não se envolver, e vale a pena se morder
de ódio quando a perder para um amante,
pois se ela se foi ou vai ou volta ou fica
há que buscar nela a cada vez o brilhante
do seu olhar apaixonado, a cada instante,
e se não reluzirem suas íris, seja tolerante,
reconheça que é assim mesmo e lhe diga
o quanto foi feliz estando junto, tão pertinho,
talvez tenha sido demasiado, reconheça
mas isso não lhe conte, dê adeus e emudeça...
Aparecida Torneros

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sonhos madrilenhos...


Sonhos madrilenhos...

Durante doze anos, entre os 80 e 90, editei um veículo de comunicação, dirigido ao imigrante espanhol radicado no Brasil. Havia a era Felipe Gonzalez, de grande chamamento socialista, consolidando a disputa ética entre a direita e a esquerda que da Espanha, resquício do franquismo, vinha em ondas, atingir os representantes aqui instalados, com seus descendentes. Naqueles tempos, lembro que vivi de clube em clube, acompanhando as datas festivas da comunidade à qual tenho orgulho de me incluir, por força do sangue da galega Carmen Doval Torneros, "la madre de mi padre". Foi com ela , naturalmente, que aprendi a admirar a cultura hispânica, e foi de quem ouvi primeiro falar sobre as agruras da tragédia que foi a guerra civil espanhola.

Tive a alegria de acompanhar, quando produzia o periódico intitulado "Jornal de España", uma caminhada consciente do povo espanhol rumo à democracia moderna, e, ao observar as reações da colônia espalhada em todo o Brasil, verifiquei seu envolvimento com a questão da nova nação. Sintonizada com a tecnologia mais moderna, que resgatou seu papel de país importante no continente europeu, despontando, definitivamente no mundo do turismo, hoje, sua fonte de renda mais visível, com um movimento que chega a triplicar sua população, a partir do fluxo de visitantes-ano, em altas temporadas.

Madrid é o centro desse sonho. Da cidade-berço da vida espanhola, disparam-se os raios de luz que vão em direção a todas as regiões históricas, industriais ou impregnadas de cultura e magia, como Andaluzia, Catalunha, Galícia, entre outras.

Em Madrid tudo parece concentrar as lendas da Espanha que produziu contingentes de emigrantes que vieram povoar e trabalhar nas Américas , nos séculos XIX e XX, para fazer a vida, tentar ganhar o pão, sobreviver, em melhores condições. A escritora Nélida Piñon, neta de galegos, publicou no livro República dos Sonhos, obra que registra a vinda de imigrantes para o Brasil, um verdadeiro manual de sentimentos ibéricos, dos corações de homens e mulheres, que , no fundo, desejavam mesmo é que seu país prosperasse e não mais fabricasse filhos que precisassem emigrar fugindo de más condições de vida.

Hoje, o lugar dos sonhos está repleto de superação. Desembarcar em Madrid, com a mala cheia de sonhos, como bem o disse, meu amigo Vitor Hugo Soares, que, ao se dirigir à Espanha, terra de Cervantes, autor da maior obra da língua hispânica, legou-nos a herança exemplar de um Don Quixote, capaz , sobretudo, de sonhar.

Aparecida Torneros

Carmen e Obidio - sou parte do enredo

Tuesday, June 03, 2008

Carmen e Obidio - sou parte do enredo.

Meu tio -avô só tinha 14 anos. Vivia naquela aldeiazinha do norte da Espanha, em condições de pobreza e sonhos. Seu principal sonho era rever a única irmã, que tinha emigrado para o Brasil, quando ele estava com 8 anos. Todos os dias, entre seus duros afazeres de cuidar da pequena plantação e pastorear as cabras, Obidio pensava no dia em que veria Carmen outravez. Fazia planos, queria mesmo era fugir daquela vida tão difícil. Nas noites geladas da Galícia do início do século XX, o jovenzinho ficava feliz quando chegava uma carta do Brasil, era sua Carmencita, a mana mais velha, que lhe contava sobre a América, um continente promissor, cheio de sol. Era disso que ele precisava. Do sol e da esperança. Mas, como viajar para tão longe sem dinheiro? Os velhos pais, cansados da lida, não poderiam ajudá-lo e nem abririam mão do filho que lhes restara para agrar as terras, guardar os animais sob a casa de pedra, acender o fogo da lareira, cuidar-lhes, afinal, já que a filha mulher em momento de coragem e doidice, tinha partido escondida, sozinha, para o Rio de Janeiro, com passagem comprada pela avó materna, sua cúmplice na fuga, alimentando a loucura da jovem que iria encontrar um primo também imigrante em terras tropicais.

O moço bonito ainda ia crescer mais centímetros e mais entusiasmos pela vida afora. Só não podia imaginar que o destino lhe traçara artimanhas que o fizeram embarcar como clandestino num navio que partia do porto de Vigo, num desses dias cinzentos, sem bagagem e sem níquel, vivendo uma aventura que seu coração palpitava como o grande salto para a liberdade e para o reencontro com a amada irmã. Obidio viajou horas no porão, entre as caixas imensas, marejando seu olhos de medo e arrependimento pelo abandono que impusera aos seus pais, mas com o consolo interior de que ficaria rico para visitá-los e mantê-los com vida mais digna, enviando o dinheiro que iria ganhar na América. Essa era a palavra mais ouvida no porto. Um navio que partia repleto de emigrantes para a América. E o Brasil, no seu entendimento, era a América, onde estava a doce Carmen, a irmã a quem se agarrara aos soluços, anos antes, pedindo que não o deixasse. Tinha na memória as frases da querida irmã, que lhe prometera mandar buscá-lo, mas que ao escrever-lhe, contara sobre a vida difícil também no Brasil, e seu casamento, a vinda dos primeiros filhos, a luta.Meu pai Ulysses foi o primeiro, nascido em 1922. Ela mandava sempre algum dinheiro para ele e seus pais. Enviara também um manto bordado para a Virgem de los Remédios, padroeira da sua terra, como um sinal de fé. Isso. Obidio tinha fé. Chegaria aos braços de Carmen logo, logo.

Os dias trancorreram vagarosamente e os medos começaram a cutucar-lhe a alma. Foi descoberto no meio do Oceano Atlantico, nada mais podia ser feito, e lhe avisaram que tão logo chegassem a Nova York, o soltaria às feras e ao mundo. O quase menino não entendeu nada. Então a América de que falavam não era a mesma da sua irmã? Pois tudo bem. De lá, devia ser perto, ele não conhecia geografia direito, iria ter com a sua família no Rio de Janeiro.

O que se passou depois, ele me contou em 1967. Foi quando o conheci. Eu, então com 17 anos, e ele sessentão. Sentados em volta da mesa da cozinha da Vó Carmen, eu, ela e tio Obidio, passávamos madrugadas inteiras esmiuçando a história de um casal de irmãos separados nos idos de 1910 que voltaram a se ver nos anos 60. Novela intrincada. No meio, muitas crises, cartas que iam e vinham entre Nova York e Rio de Janeiro. Nas primeiras, ele contava o quanto era aterrador ter chegado aos Estados Unidos e não entender a língua. Depois, sua luta para estudar inglês, sobreviver como ajudante de restaurantes, garçom e cozinheiro. O mundo girando. Juntava dólares para pegar um navio e ir para o Brasil. Ela , por sua vez, juntava filhos, a prole crescia. Ansiava receber o irmão.

Em 1929, uma última carta dele contava sua tragédia. A depressão econômica , tinha perdido tudo que juntara por uma década. Perdera inclusive a casa onde morava, estava sem rumo e via americanos jogando-se das janelas, num suicídio provocado pelo desespero financeiro. O marido de Carmen, meu avô Antonio, mandou que ela escrevesse convidando-o a vir de qualquer jeito. Havia lugar para ele na casa do casal junto dos filhos meninos e na cidade do Rio de Janeiro, onde se daria um jeito de empregá-lo em qualquer lugar. Fome, ela escreveu na carta, ele nao ia passar.

Mas a carta voltou sem resposta. Endereço não encontrado, foi devolvida. Ela e o marido que viviam no bairro da Urca, compraram uma casinha no subúrbio carioca, mudaram-se com os 4 filhos, viriam mais 4, e o canal foi interrompido. Carmen e Obidio não se falaram mais, nem se escreveram, nem se sabiam vivos ou mortos.

O mundo deu voltas. Ele casou com uma italiana e teve a filha Dolores Manuela. Esta cresceu, casou, tentou encontrar a tia por diversas vezes escrevendo para consulado espanhol no Rio. Mas Carmen nem comunicara mais seu novo endereço ao órgão oficial americano. Perderam-se.

Em 1967, tive a idéia de escrever para a cidadezinha deles. Verin, aldeia Razzela, Orense, na Galícia. Convenci minha avó, que sempre me contava sobre o sonho de reencontrar o irmão, que deveríamos enviar a carta para o posto de correios. Quem sabe, eu pressentia, ele teria passado por lá e deixado sua direção nos Estados Unidos?

A intuição foi acertada. Ele tinha mesmo ido visitar sua terra natal, depois de tantos anos. E perguntara a todos se alguém tinha notícias da Carmen Torneros, a que emigrara para o Brasil, sua única e saudosa irmã. Sem respostas, voltou para Nova York, onde morara e trabalhara toda a vida, agora estabelecido como americano naturalizado, já avô de tres netos e já no terceiro casamento.

Antes de retornar à América, agora como passageiro de moderna aeronave, Obidio teve a idéia de deixar um cartão de visita, no pequeno posto de correio da aldeiazinha. Dias depois, os funcionários do tal posto viram chegar do Brasil uma carta. No sobre escrito estava assim ( eu escrevera)"Para mi querido hermano Obidio Torneros, que vive en America, por favor, esta carta es para él, soy Carmen Torneros, vivo en Brasil".

Assim aconteceu. Em outro capítulo vou contar sobre o reencontro, os vários reencontros deles e nossas vidas que se cruzaram.

Agora, o que me cabe, é sonhar em ir a Nova York, onde ele tantas vezes me convidou e nunca fui. Tinha medo de me tornar imigrante como ele e minha avó. Está no meu sangue, não quis arriscar. Se eu tivesse ido aos 18, acho que não teria voltado ao Brasil, com certeza.

E fiquei por aqui. Com meus pais e meu único irmão. Agora, que meu filho já tem 30 anos, perdi meu pai e minha mãe está velhinha e doente, recebo um convite de um novo amor, para ir à cidade que abrigou meu tio-avô, que lhe fez um homem forte, um vencedor, muito embora ele tenha me contado o quanto chorou sozinho, naquele lugar. Sei que vou me emocionar muito quando lá chegar. Ele não estará me esperando no aeroporto. Mas sua filha irá me encontrar. Seus netos e bisnetos vivem lá. São parte do meu sangue. Não verei todos, vivem em cidades distantes. Dolores virá do Oregon só pra me ver.

Viajarei escondida nos porões da minha identidade espanhola. Viajarei amedrontada nos tropeços da minha história ancestral. Viajarei sonhadora nos braços do amor familiar e vou construir nova história. Vou ver a minha América. A que não me dará sustento e trabalho, mas onde vou agradecer as chances que deu ao meu tio assim como sou grata ao Brasil pela família linda que minha avó pôde construir aqui.

Uma América onde dois espanholitos que se amavam tanto estiveram plantando mais amor e sei que sou fruto da sua garra de viver, da sua sede de sobrevivência, sou aquela a quem ambos pediram que um dia escrevesse um livro sobre sua história.

Vou iniciar o tal livro. Terei muitas coisas para narrar. Também sou personagem, sou parte do enredo.
Aparecida Torneros

Anos rebeldes, que saudade daquele tempo!

http://br.youtube.com/watch?v=qg-DxN9vqwo&feature=related



Anos rebeldes, que saudade daquele tempo!!!



Foi um acaso, se bem que dizem que acaso mesmo não existe. Em meio ao trabalho, ao produzir os dizeres de uma placa comemorativa, para um colégio que vai ser inaugurado na próxima semana, e é a primeira obra do PAC, entregue no Rio de Janeiro, nem sei porque, o gerente que me atendia, em determinado momento, me ouviu falar que fui militante nos anos rebeldes. O tempo voltou, rapidamente, na minha cabeça, como um cometa alucinado. Falei do ex namorado que sumiu, depois que se engajou no MR8. Por alguns minutos, o filme daquela época, rodou e eu me vi com menos de 20 anos.



Contive a emoção, segui com as tarefas, voltei pra casa, cozinhei, jantei, assisti ao jornal Nacional, à novela que transmite as imagens da cultura indiana, escondi para debaixo do meu tapete de sensibilidade aquela coisinha estúpida ( pensei que fosse) que teimava me atormentar.



Fui para o computador, verifiquei que haviam publicado um artigo meu no site do Observatório da Imprensa, uma análise dos campeões de audiência da semana em que se iniciou a era Obama. Afinal , o relógio correu, passei dos cinquenta e tantos, o mundo mudou, casei, descasei, tive um filho, ele já tem mais de 30 anos.



E novamente, a tal nostalgia me pegou. Recordei as noites em que dancei e cantei "não confie em ninguém com mais de 30 anos", no final dos anos 60, imaginando que minha geração podia reformar o mundo e consertar o que estivesse torto na humanidade. Além da militância política, havia a causa hippie, pregando Paz e Amor, éramos um bando de sonhadores, lutadores, corajosos jovens que se conscientizavam da necessidade de lutar, protestar e concorrer para a mudança social, conquista de liberdade democrática, sede de justiça, e um arrazoado sem fim de propostas voltadas para uma sociedade mais justa e igualitária.



Foi-se o tempo, foram-se muitos anéis, mas sobraram muitos dedos, e ainda estamos aí, de alguma forma, construindo escolas, urbanizando favelas, negociando espaços para políticas sociais corretas e progressistas. Os que tombaram em prol desses ideais, não o fizeram em vão. Há, por parte das gerações seguintes, um furor tecnológico e consumista capaz de impulsionar novos sonhos.



A sensação de que há muito a fazer, e de que estamos ainda no meio do caminho, espetou-me durante horas. Desisti de entrar no msn e bater papo com amigos, o que normalmente faço no final da noite, antes de ir dormir. O sono não chegava ( começo agora a sentir sinais dele), e eu me perguntei onde buscar reviver aquele fôlego da juventude diante do futuro sonhado.



Coisa braba esse negócio de memorizar e tornar a sentir o que se passou conosco há tanto tempo atrás. Mania freudiana, voltar às lembranças, reatar os laços do inconsciente, trazer para o consciente, verbalizar sentimentos antigos, ultrapassar dores, sorrir com as alegrias que permanecem vivas na lembrança e seguir em frente.



Pois é o que faço agora. Sigo em frente, fico feliz em ver a nova escola, reaproveitamento de uma unidade militar do exército, desativada, que vai virar um pólo cultural numa zona extremamente carente de recursos e quase sem acesso à modernidade. Isso é saudável, é gratificante, é enriquecedor, me conforta.



Os anos rebeldes se transformaram em anos transparentes. Os ponteiros marcam a corrida louca do tempo que não pára, mas a saudade não me faz prisioneira do passado. Ajeito-me dentro de mim mesma, reconsidero o relicário de histórias que posso contar, minhas e dos meus contemporâneos, volto meus olhos para meus projetos pessoais, que incluem viagens, estudo de línguas que não domino ainda, produção de livros, voltar a dançar, visitar gente que não vejo há muito tempo, caminhar na pista Claudio Coutinho, respirar fundo, olhar o mar, sentir o vento, fixar nas retinas aquele céu azul, comer pipoca, tomar água de côco, contemplar a garotada correndo na praça, atender o telefone, e dizer: -Alô, meu Amor, ainda bem que você me ligou, pois eu já estava pensando que tinha ficado sozinha na Terra.



Aí, percebo que posso superar a nostalgia dos anos rebeldes, pois há um fórum social acontecendo no Pará, as pessoas se reunem e postulam mudanças, exigem respeitos para as minorias, para os diferentes, a democracia amadurece, meu país avança, meu povo se reorganiza como pode diariamente, e apesar dos pesares, com é bom fazer parte de tão embolado enredo. Imaginem se eu não tivesse histórias para contar, ou pior, se nós não tivéssemos vivido tudo isso para testemunhar agora?



Dou-me por satisfeita, aliás, deixo-me invadir pela felicidade de ter saudade daquele tempo e poder compartilhá-la com algum amigo fiel, alguma leitora atenta, algum parceiro desavisado, alguma companheira de luta, e tanta gente capaz de enfrentar a dureza da vida com a meiguice da prontidão que guarda o amanhã de nós todos. Melhor de tudo é fazer parte do clã dos nostálgicos que vão buscar forças nos próprios exemplos, visando reconstruir seu caminho enquanto se constróem novas escolas.



Aparecida Torneros

Anos Rebeldes...

Como nossos pais...Elis Regina

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sarah Mclachlan - In The Arms Of The Angel

Cidade dos Anjos - Iris (Legendado)

Carta de Seth

Cidade dos Anjos

Em algum lugar além do arco-íris

Em algum lugar além do arco-íris

Em algum lugar além do arco-íris
Bem lá no alto
E os sonhos
Que você sonhou
Se tornou uma canção de ninar

Em algum lugar além do arco-íris
Os azulões voam
E os sonhos
Que você sonhou
Se tornam realidade

Algum dia
Eu queria que uma estrela
Atendesse meu pedido
Me levando para o além das nuvens
Deixando tudo para trás
Onde os problemas desaparecem
Como gotas de limão
No topo das chaminés
É onde você vai me encontrar

Em algum lugar além do arco-íris
Os azulões voam
E os sonhos
Que você desafiou
Oh, porque, oh porque eu?

Bem, eu vejo
Árvores são verdes
E as rosas vermelhas
Eu vejo elas florescerem
Para nós
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso!

Bem, eu vejo
Céu azul
Nuvens brancas
O brilho do dia
Eu gosto do escuro
E penso comigo
Que mundo maravilhoso!

As cores do arco-íris
São lindas no céu
E também os rostos
Das pessoas caminhando
Eu vejo amigos de mãos dadas
Dizendo como se deve fazer
Eles realmente dizem
Eu amo você

Eu ouço bebês chorando
Eu vejo eles crescendo
Eles aprenderão mais
Do que realmente sabem
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso!

Algum dia
Eu queria que uma estrela
Atendesse meu pedido
Me levando para o além das nuvens
Deixando tudo para trás
Onde os problemas desaparecem
Como gotas de limão
No topo das chaminés
É onde você vai me encontrar

Em algum lugar além do arco-íris
Os azulões voam
E os sonhos
Que você desafiou
Oh, porque, oh porque eu?
Ir para: navegação, pesquisa"Over the Rainbow" é uma das canções mais famosas do final da década de 1930. A música foi composta por Harold Arlen e a letra é de E.Y. Harburg. Por vezes ela é citada com o título "Somewhere Over The Rainbow".Muitos dizem que esta canção personifica as esperanças e sonhos de juventude sobre um mundo ideal de amor e alegria. Foi especialmente escrita para mostrar os talentos de Judy Garland no filme O Mágico de Oz, de 1939. Posteriormente a canção acompanharia a atriz durante sua vida; em todas suas aparições públicas ela era solicitada a cantá-la.Sua melodia melancólica e letra simples representam o desejo de uma pré-adolescente de escapar da desesperança do mundo, desde a tristeza da chuva até o brilho de um novo mundo "alem o arco-íris" ("over the rainbow"). Expressa a crença infantil de que o "céu" magicamente abrirá uma porta de um lugar "onde os problemas se derretam como gomas de limão" ("where troubles melt like lemondrops").
[editar] Versões pelo mundo afora
Já foi interpretada por grandes nomes da música mundial, como Celine Dion, Aretha Franklin, Guns'n roses, Eric Clapton, Faith Hill, Shania Twain, Ray Charles, Mariah Carey, The Ramones, Louis Armstrong; interpretada em programas musicais de competição, como o American Idol (Katherine Mcphee). Porém a versão mais famosa de todas foi a cantada pelo havaiano Israel Kamakawiwo'ole, o medley de chamado "Somewhere over the rainbow/What a Wonderful World" incorporando um clássico de Louis Armstrong, trilha de "Bom dia, vietnã". Essa é sua música mais famosa e não existe canto algum no Havaí onde não se escute sua música.
[editar] No Brasil
No Brasil já foi traduzida e interpretada por Luiza Possi, com o título de "Além do arco-íris", na trilha sonora da novela Chocolate com Pimenta, em 2003. A versão original também entrou na trilha internacional, também interpretada por Luiza. Nara Leão, grande cantora da MPB brasileira, também gravou uma versão.Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Over_The_Rainbow"

Somewhere over the rainbow - Tradução Versão Thomas Newman

Luiza Possi...Além do arco-íris

Doris Day .. somewhere over the rainbow

Aperto de mão


Aperto de mão
Maria Aparecida Torneros da Silva



Aperto de mão

duas mãos se encontram
palmas se entrelaçam
cumprimentam-se
cumprem ritual social
o calor as aquece
mutuamente
as pessoas se caçam
como animais se buscam
duas mãos se tocam
se apertam
calorosamente
não precisam de palavras
os dedos falam por si
magia das falanges
olhares complementam
amores se inventam
mas se sentem,
repentinamente
qualquer novo sentimento
sabem que mentem
e não há porquê
logo se vê
em torno da saudação
tão simples e corriqueira
um arrepio sem eira nem beira
um despertar ao acaso
uma pálida ilusão
ou o anteparo da razão
para refrear os sentidos
deixar no ar a sensação
de irreverente passagem
do tempo, da emoção...
são apenas duas mãos
mão e contramão
que se encontram
e se agarram
uma na outra
a salvação
o acordo sem acordo
o sentimento sem sentido
a sedução sem maquiagem
o efêmero instante
que repentinamente
pára o tempo, a bagagem
de cada um, na troca,
de mãos que se agradam
respeitosamente
se conhecem
reciprocamente
se reconhecem
atraídas pelo gesto educado
as duas mãos se encaixam
uma na outra, e se esquecem
de esquecer a quentura
que uma levou da outra
que outra deixou em uma
que ambas impregnaram
as peles de quem as uniu
os suores de quem as encostou
roçou, embora não fosse carinho
fosse apenas um aceno
sem nada de obceno
apenas um gesto gentil
humano, comum e factual...
mas, as duas mãos , coitadinhas,
conservam nos poros inquieto ardil
da natureza intrigante e expertalhona
ainda são as mãos dadas ou emprestadas
para o encontro primeiro de uma série
que as fará reviver gostoso enlace...
duas mãos se enroscam na lembrança
nada demais, em meio a tantos fatos,
apenas um cumprimento e a esperança
de estarem novamente, face a face,
ou melhor, frente a frente,
ou talvez, uma dentro da outra,
apertadas, acariciadas, entrelaçadas...

O Amor me pediu uma poesia


O amor me pediu uma poesia



O amor me pediu uma poesia

ele a queria forte, profunda, incisiva e clara...

mas a poesia escondeu-se nas palavras,

veio mansa, fugidia, elevada e vadia...

o amor equivocou-se no pedido, pensei...

porque uma poesia para viver o amor, é postulante...

uma poesia, para externar o amor, é redundante...

uma poesia, para homenagear o amor, é estonteante...

uma poesia, para camuflar o amor, é extenuante...

o amor pensou que a poesia era múltipla e abrangente,

achou que por causa dele toda poesia seria alucinante,

supervalorizou sua ação na alma da poeta vagante,

e, sem mais nem menos, solicitou poesia planejada..

A poesia, mais experta que ele, veio bem organizada...

A poesia chegou plena de si, com cabeça erguida,

não se deixou dominar pela métrica do amor, tão vivida,

nem se encantou com sua falta de lógica, esmaecida,

ela abraçou o sonho, pôs em si mesma um tempero,

de mágico brilho sobre olhos encantados, o esmero,

a poesia resplandeceu entre raios de luz tão faiscantes,

eu tentei responder ao amor pra explicar os impasses,

quis dizer a ele que a poesia tem mil formas e faces,

deixei-o imaginar a razão do poema amoroso e significativo

aquele em que me ponho de expectadora com certo motivo

para aprisionar o mel do amor, e resposta ao seu pedido.

O amor não tendo mais o que fazer, quis esse poema comprido,

bateu-me o coração em descompasso apressado e sôfrego,

fez-me produzir um texto doido quase que de um só fôlego,

e, ao concluir o feito, eis-me aqui, sem poder dara a ele um jeito,

de poesia de amor, para o amor que ma pediu, e ma tirou-a do peito..

Aparecida Torneros

Amo você


amo
amo você
e como amo
de muitos jeitos
com muitos peitos
e muitos gemidos
tantos zumbidos
é quando chamo
sua presença
intensa
sua força
a energia
a mais valia
do seu calor
o beijo intenso
o abraço denso
o próprio amor
amo você
não tem porquê
só tem pra que
pra ser feliz
fazer feliz
enternecer
amanhacer
anoitecer
permanecer
em você...
se ouço seus ais
seus suspiros
espirros
pedidos
desejos
sintos seus beijos
recebo bem mais
do que ofereço
é o que penso
mas me esmero
preciso aumentar
minha doação
minha entrega
minha emoção
vou acrescentando
novas maneiras
de doar paixão
de falar ao coração
de alguém assim
como você...
alguém que veio
sugar no meu seio
o néctar sem fim
aquele gosto doce
do corpo oferecido
a paz do recomeço
o bem querer do apreço
do ser enaltecido
pelo carinho desmedido...
amo você
ambos repetimos
esse refrão bonito
amar é ser cupido
de si e do outro
é ser combalido
pelo aconchego
é ser engolido
pelo chamego
é ser compreendido
pelo sossego
de abandonar-se
no corpo inteiro
alma e coração
é saber sem entender
é sentir sem explicar
é cuidar sem abandonar
é estar por perto
é ficar no rastro
é permanecer...
é assim que amo
com presença imensa
maior que o mundo
bem mais profunda
que caverna mais funda
bem mais comprida
que a própria vida...
amo você
porque me vejo
no seu olhar bem forte
o que é uma sorte
ter sido escolhida
pelo destino
talvez pelo dedo divino
talvez pelo fogo sagrado
talvez pelo vento uivante
talvez pelo raio certeiro
talvez pelo golpe do tempo
talvez pela bruma do mar
talvez pelo canto da sereia
talvez pela busca incessante
ou talvez, sem mais talvez...
amo você
e não preciso justificar
nem explicar, nem compreender
só devo sentir,
sentir, sentir, sentir,
mil vezes repetir...
amo você...
Aparecida Torneros
16 de junho de 2008

Volved! ( da minha adorada poeta Rosalía de Castro)

¡Volved!
I
Bien sabe Dios que siempre me arrancan tristes lágrimas
aquellos que nos dejan,
pero aún más me lastiman y me llenan de luto
los que a volver se niegan.
¡Partid, y Dios os guíe!..., pobres desheredados,
para quienes no hay sitio en la hostigada tierra;
partid llenos de aliento en pos de otro horizonte,
pero... volved más tarde al viejo hogar que os llama.

Jamás del extranjero el pobre cuerpo inerte,
como en la propia tierra en la ajena descansa.
II
Volved, que os aseguro
que al pie de cada arroyo y cada fuente
de linfa trasparente
donde se reflejó vuestro semblante,
y en cada viejo muro
que os prestó sombra cuando niños erais
y jugabais inquietos,
y que escuchó más tarde los secretos
del que ya adolescente
o mozo enamorado,
en el soto, en el monte y en el prado,
dondequiera que un día
os guió el pie ligero...,
yo os lo digo y os juro
que hay genios misteriosos
que os llaman tan sentidos y amorosos
y con tan hondo y dolorido acento,
que hacen más triste el suspirar del viento
cuando en las noches del invierno duro
de vuestro hogar, que entristeció el ausente,
discurren por los ámbitos medrosos,
y en las eras sollozan silenciosos,
y van del monte al río
llenos de luto y siempre murmurando:
«¡Partieron...! ¿Hasta cuándo?
¡Qué soledad! ¿No volverán, Dios mío?»
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Tornó la golondrina al viejo nido,
y al ver los muros y el hogar desierto,
preguntóle a la brisa: —¿Es que se han muerto?
Y ella en silencio respondió: —¡Se han ido
como el barco perdido
que para siempre ha abandonado el puerto!

Rosalía de Castro

Volver... o filme, a letra do tango e o vídeo...

Volver...o filme, a letra do tango e o vídeo ...



http://www.youtube.com/watch?v=v9vaasTAeRI


volver...Volver ( o tango) e Volver ( o filme de Almodóvar)
O filme de Almodóvar entrou-me como um espírito vagante. Invadiu-me de surrealismo e de madrugada repleta de fantasmas. As figuras fêmeas limpam as tumbas dos seus mortos, num exercício de culto aos amores com suas fortes dores. Os arremedos de reação masculina passam ao largo. A mensagem pricipal da produção que prima mais uma vez pela fidelidade do diretor à cultura espanhola cotidiana, nada fica a dever aos outros da sua carreira extremamente feminista em sesu conteúdos de valorização das mulheres que trabalham, lutam, amam, decepcionam-se, solidarizam-se.
História de mães, filhas, tias, comadres, vizinhas, amigas, entrelaçando afinidades e mágoas em proporções projetadas além das suas vidas.
Volver tem na letra do tradicional tango, um pano de fundo, transfomado em bulería flamenga, cantado ( ou dublado) pela atriz Penélope Cruz em momento de intensa emoção. Aliás, as emoções me fizeram "volver" tal qual o enredo, a alguns vinte anos e outros
atividades:
e outros tantos, ao perceber que a vida anda em círculos de passado e presente que se repetem unindo ou separando gerações.
Não se pode negar o quanto é forte o impulso da sexualidade bruta e selvagem questionada pelo tema de pais que violentam as próprias filhas. Assunto que ainda pode ser considarado tabu mas que aparece no desenrolar da atuação cinematográfica como contingência e desafio à reação feminina.
Almodóvar fez-me, mais uma vez, observar obstinadamente, cada expressão facial dos seus personagens, cada passo e cada fala como a beber o elixir que desvenda o mistério que paira sobre os mortos que "volvem", tão vivos em nossas memórias que são capazes de cuidar dos sofrimentos acompanhando as vidas com recordações absurdamente recorrentes.
Assim, Volver, o filme, estatelou-me no lugar devido, diante da crueza de assassinatos justificados pela humilhação de mulheres duplamente traídas pela confiança dos seus homens.
No filme, os beijos estalados trocados entre elas, nada mais são do que um mantra
livros:
um mantra entoado que as une em torno da sua eterna busca.
Viúvas, abandonadas, humilhadas, solitárias, mas, unidas, limpando sepulturas onde jazem seus fantasmas reverenciados, e onde se enterraram seus segredos guardados para sempre.
Valentes, cúmplices, as mulheres que Almodóvar faz renascer nesse filme, são aquelas que conservam a beleza dos espíritos apesar das mais feias lembranças
música:
VOLVER
Yo adivino el parpadeo
Eu adivinho o piscar

de las luces que a lo lejos
das luzes que ao longe

van marcando mi retorno.
vão marcando meu retorno.

Son las mismas que alumbraron
São as mesmas que iluminaram

con sus palidos reflejos
com seus pálidos reflexos

hondas horas de dolor.
fundas horas de dor.

Y aunque no quise el
regreso,
E ainda que não queira o
regresso,

siempre se vuelve al
primer amor.
sempre se volta ao
primeiro amor.

La vieja calle donde el
eco dijo
A velha rua onde o eco disse:

tuya es su vida, tuyo es
su querer,
“tua é sua vida, teu é seu querer”,

bajo el burlon mirar de
las estrellas
debaixo do olhar
zombeteiro das estrelas

que con indiferencia hoy
me ven volver.
que com indiferença hoje
me vêem voltar.


Volver... con la frente marchita,
Voltar... com a face enrugada,

las nieves del tiempo platearon mi sien.
as neves do tempo prateando
minha fronte.

Sentir... que es un soplo
la vida,
Sentir... que é um sopro a
programas de tv:
que é um sopro a
vida,

que veinte años no es
nada,
que vinte anos não é nada,

que febril la mirada,
errante en las sombras,
que febril a mirada,
errante nas sombras,

te busca y te nombra.
te procura e te chama.

Vivir... con el alma
aferrada
Viver... com a alma
aprisionada

a un dulce recuerdo
a uma doce recordação

que lloro otra vez.
que choro outra vez.

Tengo miedo del encuentro
Tenho medo do encontro

con el pasado que vuelve
com o passado que volta

a enfrentarse con mi vida.
a enfrentar-se com minha vida.

Tengo miedo de las noches
Tenho medo das noites
filmes:
que pobladas de recuerdos
que povoadas de recordações

encadenan mi soñar.
aprisionam meu sonhar.

Pero el viajero que huye
Mas o viajante que foge

tarde o temprano detiene
su andar.
cedo ou tarde detem seu
caminhar.

Y aunque el olvido, que
todo destruye,
E mesmo que o esquecimento,
que tudo destroi,

haya matado mi vieja
ilusion,
tenha matado minha velha ilusão,

guardo escondida una esperanza humilde
guardo escondida uma
esperança humilde
cozinhas:
que es toda la fortuna de
mi corazón.
que é toda a fortuna do meu coração.

Volver... con la frente marchita,
Voltar... com a face enrugada,

las nieves del tiempo platearon mi sien.
as neves do tempo prateando
minha fronte.

Sentir... que es un soplo
la vida,
Sentir... que é um sopro a
vida,

que veinte años no es
nada,
que vinte anos não é nada,

que febril la mirada,
errante en las sombras,
que febril a mirada,
errante nas sombras,

te busca y te nombra.
te procura e te chama.

Vivir... con el alma
aferrada
Viver... com a alma
aprisionada

a un dulce recuerdo
a uma doce recordação

que lloro otra vez.
que choro outra vez.

Estrella Morente canta Volver...

Volver!!!

Vida e Mistério

domingo, 25 de janeiro de 2009

O relicário da velha senhora...


O relicário da velha senhora
Maria Aparecida Torneros da Silva


Seu quarto, se é que se poderia chamar aquele ambiente de quarto, parecia um amarfanhado de móveis e objetos, misturados os estilos, entranhando os laços do tempo, um rebuliço de cores e molduras. Tudo levava a crer que sua vida fora um ir-e-vir de constantes buscas pelas alegrias da vida, passando, evidentemente, por suas cruezas. Ela mantinha ainda, apesar dos seus oitenta e tantos, um sorriso esperto, e, com surpresa, fazia brilharem os olhinhos azuis, circundados por uma pele pregueada, de um rosto expressivo, que me induzia a respeitar pessoas cujas vidas tenham superado os dias e as noites, à procura da felicidade. Sem titubear, eu que a conhecera há pouco tempo, numa praça qualquer, já me sentindo sua amiga, apesar de uma diferença de idade beirando quarenta anos, fiz a pergunta que me engasgava desde que aquela velha senhora me infundira um certo gosto pela sua dignidade solitária. - A senhora se sente feliz? Esperei seu semblante aquietar-se. Naquela visita semanal, que me habituara a fazer-lhe depois que sumiu da praça, por causa de uma artrite enfadonha, entre um chá e umas torradinhas, minha amiga octogenária me mostraria a importância do amor à vida. Sua resposta soou calma aos meus ouvidos. Levou-me às lágrimas pelo conteúdo e pela forma. Admirei-a profundamente. Fiz-me pequenina diante da grandeza de criaturas como ela, que precisam tão pouco para serem felizes. - Menina, disse-me, claro que sou feliz! - Você ainda não percebeu? Tenho tudo. Possuo um imenso relicário no coração. Tenho a história da minha própria vida. Ora, minha amiguinha, quantos podem olhar para trás como eu e lembrar de tantos momentos incrivelmente maravilhosos. Fui uma menina que brincou descalça nas ruas de um subúrbio e subi nas árvores para comer suas frutas. Estudei e aprendi a ler, o que no meu tempo não era privilégio das mulheres. Também, tive um grande amor que só conheci aos cinquenta anos, e, como ele fosse um homem casado com outra, pudemos ter maravilhosos encontros, inesquecíveis, que me renderam belos poemas, que guardo como um relicário. Sou uma mulher tranquila, leio ainda meus livrinhos e posso fazer minhas orações ao cair da tarde, agradecendo a Deus esta longa vida. Além do mais, veja como a vida me recompensa de tudo, ao me presentear com uma nova amiga que me visita, que me ouve, e que me dá a chance de dizer-lhe que precisa também a aprender a guardar num relicário cada instante, como este agora. Dizendo isso, a velha senhora, me puxou a mão e passou-a na sua cabeça. Senti a seda dos cabelos branquinhos. Chorei pela liçao de vida que acabara de receber e liguei o pequeno rádio da sua cabeceira, esperando que uma canção qualquer nos aliviasse a força do sentimento. Ironia, coincidência ou magia dos deuses, o radinho berrou lindamente: - Os sonhos mais lindos, sonhei.. és fascinação , amor... Recolhi-me, por segundos, fascinada pela vida, mais uma vez. E pus-me a juntar elementos vitais para o meu próprio relicário, a partir daquele dia.

A equação da vida


A equação da vida
Maria Aparecida Torneros da Silva



Ela ainda não encontrara o grande amor da sua vida... parecia ter certeza disso, pois os homens se sucediam com seus defeitos e qualidades, ora entusiasmando-a, ora decepcionando-a . Bem, provavelmente, ela tinha provocado neles as mesmas reações, pois, lembrava, muitas vezes do seu semblante questionador e perplexo diante das histórias de paixão e abandono que lhe relatara. Tiveram momentos de profunda sintonia, mas, como tudo na vida passa, aqueles instantes se perderam no passado, acrescidos de imagens embaçadas e saudades anestesiadas. Certa vez, cruzaram-se, por acaso num aeroporto. O destino se encarregou de fazer com que as pedras do jogo de xadrez se esbarrassem em dado segundo, para surpresa de ambos. Mantiveram a lucidez, portaram-se civilizadamente, com educados cumprimentos , apertos de mãos, olhares inquisidores sobre sorrisos de emoção contida. Havia tempo para um cafezinho no balcão, e aquele seria um encontro ímpar em suas vidas, tal e qual era única cada lembrança que traziam de tempos distantes, quando se amaram com intensa paixão. Enquanto saborearam o café com gosto de saudade desvanecida, um e outro se alternou em frases ainda desconexas. Não conseguiram manter um diálogo coerente, confundiram-se atordoados pelo desejo de saldar uma dívida de olhares que se deviam há tantos anos. Olhando-se nos olhos, ele e ela evitaram deixar que a hipnose os retivesse para sempre um dentro do outro. Despediram-se, também com civilidade. Afastaram-se com aparente desejo de se evaporar cada um no seu próprio éter, tentando solucionar a equação da vida. Ela pensou: um amor que não deu certo, ele nunca foi meu de verdade. Ele concluiu: um amor que podia ter dado certo, ela nunca soube me compreender. Acho que até hoje não sabe o quanto a amei.
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Eu e as rosas


Eu e as rosas

que abrigam minha alma
aquecem o coração, dão-me alegria
rosas que me chegam no mesmo dia
em que abraço de novo meu filho...

são rosas que vieram de um amigo
elas me tomam o ser como um abrigo
me mostram a delicadeza e o brilho
de uma amizade e da paz que persigo...

rosas em buquê, flores em botão,
enfeitam minha vida, me chamam atenção
para a especialidade do gesto carinhoso
alguém de longe manda parte de um jardim

um sentido doce se apodera de mim
quero dizer que o amor é flor também
há nele perfume e ternura bem além
do quanto se sonha, do quanto se ganha,
do quanto se perde, do quanto se espera...

cheiro e me encanto com as rosas belas
sou então, preciosa e tola admiradora delas,
da sua natureza misteriosa, por me fazerem bem
dão-me alento, aconhego, espaço de sentir
afugentam-me qualquer dor, enlevam da terra...

rosas me vieram de avião, voaram até mim
trouxeram amizade, carinho , respeito, enfim...
encosto-me nelas e faço-me flor por segundos,
sou ser mutante deste e de outros mundos,
nas suas pétalas envolvo-me de pura magia,
da sua presença colho a semente para novo dia...

Aparecida Torneros
11 de setembro de 2008

sábado, 24 de janeiro de 2009

Rocio Durcal..no me vuelvo a enamorar

Raphael y Lola Flores

O ritual das ciganas espanholas...


Este encontro ocorreu no dia 15 de dezembro, durante a festa dos 30 anos do meu filho Leandro
O ritual das ciganas espanholas...
Fez-se a roda. Elas ali chegaram na pele das mulheres descendentes de uma jovem que emigrara para o Brasil em 1910. Seu nome é Carmen Torneros. Ela paira no éter, sobre as cabeças de filhas,filhos, noras, genros, netos, netas, bisnetos e bisnetas.
A festa era um encontro de muitos espíritos encarnados e desencarnados. Vieram todos. Uma aura de ancestralidade se misturava ao conforto do reencontro. Alguém se predispôs a dançar em conjunto. As roupas foram dispostas em cabides de pé. Xales coloridos, flores para os cabelos, brincos reluzentes e chamativos, saias longas, batom vermelho passando de boca em boca. Veio a música. Elas foram tomadas de certa flutuação eufórica. As mais meninas descobriram passos especiais e em volteios animados, aplaudidas, dirigiam-se ao centro da cabala improvisada. As vozes cantarolavam na língua nativa, e da Espanha vinha a brisa longínqua de tardes seculares. O fogo era sentido no meio do grupo, elas rodopiavam como fadas possuídas de um clamor milenar. Os leques abanavam ao calor dos sorrisos, algumas delas gargalhavam, outras se concentravam em gestos antigos, e as mãos se elevavam aos céus, os braços navegavam pelos ares do enlevo e o amor as unia de repente num canto único. O ritual estava se completando. Todas deixavam vir à tona, através dos corpos e almas, seu destino para a comemoração do grande dia. Afinal, estavam todas ali, em comunhão de paz e felicidade. Espanholitas jovens e senhoras, meninas e moças, sábias e inocentes, ansiosas pelo viver comum do momento glorioso. Cumpriram o ritual, com suor e lágrimas de emoção. Abraçaram-se. Assim foi porque assim estava escrito.

Espanha, cuida de mim!





Espanha , cuida de mim..
Maria Aparecida Torneros da Silva

Espanha, me chama, me canta, me espanta
me encanta e me pranteia, na canção e na saudade
tua misteriosa magia me entontence e invade,

Espanha, me apanha na curva do mar da Galícia,
me embarca no porto rumo a Barcelona, me esvazia
do pote de euforia e me faz dançar em Andaluzia...

Espanha, me puxa e me prende, me fascina e ilumina,
me engana e me mostra teu lado mais duro, tuas dores
que toureias nas praças dos milhares de amores
que se vão, se superam, se matam e renascem, qual sina
dos navegantes buscadores de terras, de mundos distantes,

Espanha, me põe um sinal de bruxaria na testa, me empresta
tua poesia, tua arte, teus pintores, tuas infinitas cores,
me traz de volta ao céu, e me deixes provar do inferno
que tua força maior, terror dos temores, das bombas,
das guerras, os ditadores de mierda, injustiças e abandonos...

Espanha, cuida de mim, de ti mesma, dos teus muitos donos.

Te amo, espanhola...






Te amo, espanhola


Bailaora, volteias, frenética,
aos olhos dos homens encantas...
Sapateias, patética,
sempenteias os dedos, braços alados,
teus males de amor e paixão, espantas...
Apertas as castanholas sonoras,
és, então,de todas as senhoras,
a que centraliza os amados...
Eles te desejam, te comem com olhares...
Esbanjas sedução, pedem que não pares,
não deixes de sapatear estonteantemente...
Tentadora, passeias, poética,
pelo tablado carregando babados,
és flor entreaberta, és luz intensamente....
Palmas, eles te acompanham, sonhadores,
são teus amantes no flamengo que agitas,
enredados na tua magia cigana,
cada um deles te quer como troféu,
na fantasia da dança, que incitas,
podes levá-los em direção ao céu,
e ao seres amada, assim, humana,
gritas olé, em atitude mundana!!


E tua alma de bruxa, de fada, de feiticeira,
faz do Amor de cada um deles, o teu prazer,
já não podes estancar a sede crescente e festeira,
de bailar, de superar-se, de enlouquecer...

Obama, Madonna e o teto da Renascer...

No site do Yahoo Brasil, uma chamada no sábado , 24 de janeiro, apontava para os assuntos mais acessados na semana : "Obama, Madonna e teto da Renascer foram alguns dos campeões de audiência". O mundo da comunicação, desde que o homem descobriu-se envolto na tal Aldeia Global de que tanto falou Marshall McLuham, tem essa peculiaridade de aguçar a curiosidade que une os fatos distantes aos próximos fisica e emocionalmente, em escalas personalistas, localizadas nos interesses humanos diversos, incluindo sua sede de ser informado, sua necessidade de entreter-se e sua perplexidade diante da tragédia. A semana foi realmente marcada por noticiário intenso a respeito da posse de Barak Obama, que ganha ainda mais espaço através das medidas impactantes tomadas em seus primeiros dias de governo, emblematicamente delimitando espaço para marcar sua nova era, a tão esperada e propagada Era Obama. Como um guru dos anos 70, o mestiço presidente parece ter a missão de pregar o óbvio: é possível reorganizar tudo, desde a economia até a convivência entre os povos. E traz consigo uma aura de esperança nunca dantes sentida pelas últimas gerações planetárias, que habitam uma Terra ferida, doída, atingida em seu âmago, pelas bombas, pelas injustiças, pelas insanidades e radicalismos extremistas. Obama veio para ficar nas manchetes e na cultura de massas e dele e sua equipe espera-se o revolver da terra abatida, para que dela renasçam frutos e flores, verdejando esperanças de paz e prosperidade. À parte desse sonho dantesco que invadiu as cabeças e os corações da humanidade, a figura também carismática da cantora-dançarina-intérprete Madonna, que passou há pouco pelo Brasil, continua sua marcha midiática como artista que atrai multidões e alcança a fama entranhando-se nos corações de um imenso público que além de fã, comporta-se como adeptos de uma seita à la Diva Madonna, endeusando-a como pode e como é comum acontecer com um Olimpiano, imagem concebida pelo teórico Edgard Morin, para explicar os conceitos ligados aos novos Deuses da Cultura de Massas. Obama e Madonna, em instâncias paralelas, o são, sem sombra de dúvida, partilham da característica proba de stars olimpianas. O imaginário e o real se confundem no inconsciente do público receptor da informação, cuja necessidade básica, permeada de sonhos e idealizações, precisa, e precisa muito, de projeção e identificação para seguir consumindo idéias, comportamentos, entretenimento, conclusões, iniciativas de vida, posturas diante da sobrevivência física e emocional. Os meios de comunicação apenas cumprem o seu papel nessa industrializada cultura, reproduzindo em série, exaustivamente, os temas pelos quais as pessoas se encontram sedentas em consumir, em receber, em decodificar, em introjetar, em deleitar-se. A medição da audiência, um fio condutor que nos acostumou aos índices para que nos aproximássemos cada vez mais dos números como aliados do bom viver, ou traiçoeiros que ditam as ordens da maioria, é ela uma imperatriz que comanda os rumos da indústria da comunicação. Enquanto Obama e Madonna dominam o noticiário, há que especular mais sobre eles, seus passos devem ser seguidos, suas palavras repetidas, suas canções reproduzidas, seus discursos republicados, suas ações alardeadas, suas danças reapresentadas, seus shows regravados, suas atividades invasivamente acompanhadas para que se alimentem a tal audiência conquistada. Quanto ao teto da Renascer, nada é mais profundo e simbólico do que ver ruir um templo onde criaturas buscam a elevação espiritual e acreditam na vida além da morte, e ali vão para reconsideram suas dores e afirmar sua fé. Como toda tragédia anunciada, seja nas guerras noticiadas através das agências internacionais, seja nos atentados bárbaros capazes de tomar de imensa perplexidade todo ser crente do bem ainda que preparado para o jogo do mal, um acidente na nave de uma igreja caindo sobre a cabeça dos seus fiéis, é como um mundo que cai sobre os ombros dos que esperam que a paz possa renascer, que o amor possa triunfar, é um banho de tristeza sobre a confiança e a alegria do encontro com o sonho realizado. Talvez o inconsciente do público seja mais lúcido ainda, pois buscou a figura representativa de Obama, sob o ponto de vista da lógica social-democrata e econômico-realista, sem deixar de observar o lado lúdico da vida que a artista pós-moderna Madonna é mestra em provocar e oferecer, e , por terceiro lugar, deixou-se atrair pelo escorregão da divindade, ao ver cair um teto de um templo curiosamente intitulado Renascer, que tem sido alvo de noticiários tendo em vista o envolvimento dos seus líderes que até foram presos nos Estados Unidos por acusações de desvio de dólares, o que aproxima em muito, a necessidade humana da fé, da necessidade sobre humana do poder e da organização do próximo show.

Aparecida Torneros jornalista Rio de Janeiro

Obama dança em programa de TV

Tributo da Dom Hélder, esse Homenzinho!




Tributo a D.Hélder, esse Homenzinho!
Maria Aparecida Torneros da Silva


D. Helder, tributo a esse Homenzinho ( por causa da morte da irmã Dorothy) D. Helder..um homenzinho de metro e meio, na minha frente, de batina beje-surrada. Era tão doce que me comovia seu ar etéreo. Malinha pequena na mão, na sala de trânsito do velho aeroporto do Galeão, no Rio, eu, jovem estagiária de jornalismo, tinha a grande oportunidade de fazer a entrevista mais importante da minha vida, e que nunca seria publicada. Isso porque, ele próprio me avisou, que estava proibido, naquele 1970 de sair em qualquer jornal do Brasil. Então, como um amigo querido, por cerca de meia hora, me manteve inebriada com palavras carinhosas e me passou lições que guardei para sempre comigo. Uma delas, ao me alertar sobre a importância de não abandonar as lutas, as causas, os ideiais, mesmo que me desse conta de que uma só existência não bastaria para mudar quase nada. Segundo me falou, sabia que o próximo século ( esse dos anos 2000, que não chegou a ver) seria um novo tempo de países ricos sobrepujando os pobres, não importando mais se capitalistas ou comunistas ( palavras dele). O fato principal, me profetizou sorrateiramente, seria a opressão dos ricos sobre os pobres. E me deixou a cópia do discurso que iria proferir em Atlanta, onde foi receber o prêmio Luther King da Paz. Viajou. Nunca mais o encontrei pessoalmente. Dali pra frente, acompanhei sua trajetória, lendo seus livros, ouvindo suas falas, quando me foi possível. Até hoje, quando participo todos os anos, da Feira da Providência, sinto que ele paira por ali, entre nós, como um Anjo Bom, a nos religa com o que de mais puro possa existir na religião: tornar o Homem capaz de aprender a viver com igualdade de oportunidades, ainda que uma utopia, um sonho, uma chance, um desafio, uma luta sem fim, mas da qual, não podemos desistir jamais, e pela qual tantos de nós perdem a própria vida, como a irmã Dorothy, no Pará. Aparecida Torneros ( jornalista, Rio)
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

o janeiro de OBAMA... tão quente e tão frio...





no dia da posse de OBAMA, eu estava em Búzios, em meio a um intenso calor...
na praia, não me desliguei do rádio, ouvindo as informações sobre a data histórica...
depois, em casa da Cris, assiti pela televisão todos os momentos em que ele foi aclamada pelo público, que , embora enfrentasse uma onda terrível de frio, ali estava para acolhê-lo e aquecer seu futuro.
pude vibrar e me emocionar, sonhar com um mundo mais justo e me empolgar de esperança apesar de ter a consciência do desafio que todos vamos ter pela frente, a partir da chegada dele ao poder.

Búzios, janeiro, 2009

Cida

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Doçura...em Búzios... ( para LA)



nada é fácil, nada é eterno, nada é por acaso
olhei o sol se pondo, observei o ocaso
o dia indo embora, o amor chegando, dei um prazo
a mim mesma, para descobrir onde ficou o atraso
da adolescência revivida em corpo maduro cujo traço
é o de uma senhora quase menina nas coisas que digo ou faço...

tudo é dificil, tudo é efêmero, tudo é passageiro
olhei a telinha do computador, observei o companheiro
o seu olhar de índio, seu jeito de menino matreiro,
que cresceu depressa, porque o mundo lhe foi aventureiro,
senti-me doce, quando ele me chamou doçura, me derreti...

somos pessoas tão diversas, dois universos, duas criaturas
com bagagem e tantos sonhos, alguns inalcançáveis, conjecturas,
outros muitos, em estado de graça, em alegrias e ternuras,
o senti tão dentro de mim, a provar minha pele e suas texturas,
beijei sua alma, quando ele me fez sua dona, me convenci...

somos seres tão parecidos, dois mundos paralelos e similares,
temos tantas areias para caminhar e tantos mares para singrar
ainda temos tempo para amarmos, para nos entendermos, apesar...

busquei seu toque de sentido do mundo, de razão de existir,
não estava nas ruas, nem nos casarios, nem nos barulhentos bares...
ele me chegou na canção da humanidade, da afeição e dos cantares,
trouxe e fez renascer sentimentos esquecidos, elevou-me aos ares...

aí, me percebi envolta em calda dourada, uma mulher caramelada,
mas que podia voar com asas ao vento, deixando escorrer gotas ao léu,
envolta pela costa buziana, pelo paraíso encontrado, por camadas de mel,
sobre as cabeças cujas bocas se abriam em concha, para saborear meu véu,
em brumas de imensa doçura, agradeci porque ele me devolveu o céu...

Cida Torneros

em 21 de janeiro de

Sexo no casamento e dividendos no trimestre


Sexo no casamento e dividendos no trimestre (artigo de 2005)
Maria Aparecida Torneros da Silva



Leio notícia num jornal que fala sobre a obrigatoriedade do sexo no casamento. A advogada Regina Beatriz Tavares da Silva, 44 anos, afirma que o cônjuge ou companheiro que se recusa a ter relações sexuais pode ser condenado judicialmente a indenizar o outro. Ela explica que – “Uma das obrigações matrimoniais é a de os cônjuges manterem contato sexual. O fato de um dos cônjuges se negar a fazê-lo é motivo para um pedido de separação conjugal”. Questionada sobre o motivo para um pedido de indenização, a resposta não poderia ser mais apropriada para os tempos atuais, de intensa manipulação financeira, onde não se desperdiça nada, nem a gota de amor que escorra pela bica mal fechada. "- Sem dúvida. O descumprimento de todos os deveres conjugais, uma vez que exista dano, gera ao ofendido o direito de pleitear indenização".

Ora, penso eu, então com meus botões e convido a todos a refletirem junto comigo. Será que passaria pela cabeça dos julgadores de tais processos, questionarem os motivos pelos quais alguém se recusaria a ter relações sexuais com seu parceiro ou parceira de casamento? Poderia se considerar a idade avançada, por exemplo? Ou os impedimentos por ordem de saúde debilitada? Ou ainda o desinteresse gerado por mutações de aparência ou comportamento do companheiro ou companheira, que já não aparentasse aquele ar juvenil e excitante dos primeiros anos de convívio? Talvez a lei, assim tão fria, ao ser postulada, possa se consolidar como uma nova artimanha para cálculos indenizatórios de esperteza ou golpe. Um casal que supostamente se une por amor, saberá que, quando este se dá por finito, nada mais resta a fazer a não ser enfrentar as agruras burocráticas da separação, com seus envolvimentos de caráter material e emocional, com dores de parte a parte. Tentar, baseando-se em lei vigente que pode e deve ser discutida pela sociedade civil brasileira, pedir indenização por ter sido preterido na cama do parceiro, pode até levar o postulante de qualquer dos sexos a faturar algum que lhe garanta uma boa soma, mas, com certeza, não preencherá o vazio pelo desejo sexual não satisfeito.

Fica claro que trocamos sentimentos por valores. Quanto vale no mercado o beijo solicitado que alguém deixou de atender? E o abraço que faltou na hora da saudade, quando o parceiro ou parceira dormia pesadamente, sonhando talvez com outro amor? A que preço seria possível vender um orgasmo que não aconteceu, na noite em que se desejou ser amado por alguém em quem já não despertamos a mesma volúpia de antes? Por que um dia descobrimos que aquela voz que antes nos fazia tremer o coração, de repente, nos incomoda os ouvidos, e repete frases feitas que perderam a graça? Será que vou ter que pagar por isso? Ou será mais inteligente que me desligue desse relacionamento arrastado? Absurdamente, me ocorre perguntar também, sobre a seguinte hipótese : quando, apesar dos anos passados juntos, um casal sente o mesmo sentimento intenso de prazer, temendo inclusive o mal olhado dos invejosos, não mereciam este esposo e esposa, então, da sociedade, um prêmio em dinheiro por conseguirem essa proeza matrimonial em tempos de tanto distanciamento e desamor?

Certo é que se legisla sobre o relacionamento porque o casamento é mesmo um contrato social entre partes adultas e responsáveis. Mas, há que se apelar para o bom senso, enquanto pessoas produzem e trabalham para construir relações de afeto e respeito. O sexo, quando espontâneo, entre homem e mulher, casados ou não, deve ser sinônimo de felicidade. Infeliz será aquele homem ou aquela mulher, cujo companheiro ou companheira, em dado momento, transforma sua relação, que deixa de ser amorosa para ser comercial. Ele ou ela pagará uma dívida ou cobrará com juros a má sorte de não ter compreendido o fim do amor. E ainda, de não ter aproveitado a chance para sedimentar uma nova grande amizade depois do casamento, com o seu ex-cônjuge.

Sexo, ambos terão muitas novas chances, e não precisarão pagar por isso, se cultivarem encantos afetivos suficientes para não classificar suas relações amorosas como “plus” que rendem dividendos ao fim de cada trimestre. __________________________________________________

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A culpa branca ( artigo meu no obs. da imprensa, sobre OBAMA)

LEITURAS DA FOLHA
A "culpa branca"

Por Aparecida Torneros em 25/11/2008


"Ontem, na rua 34, uma banca vendia bottons de Obama especificando que eles eram `Union Made in the USA´, ou seja, fabricados nos EUA por trabalhadores que pertencem ao sindicato.

Ao lado dessa banca, um vendedor de DVD colocava seus heróis numa mesma coluna: Obama, Martin Luther King, Lumumba, Fidel Castro, Gandhi e Che Guevara.

Depois dizem que Obama não é um cara de esquerda...

Esta é a última crônica de Nova York. Volto para São Paulo."

Assim, o psico-articulista da Folha de S.Paulo encerra sua série de crônicas, escritas em Nova York, durante o período eleitoral que revolucionou a história política americana, trazendo à baila questões diversas que, num mix inusitado, movimentaram e ainda movimentarão por longo tempo a mídia internacional, com pautas que vão desde a discriminação racial até a crise econômica que se mostra crescente e astronômica, até os conceitos de democracia socialista em país dito rico, avançado e capaz de mudanças radicais, auto-referenciando seu próprio capitalismo em torno dos seus conteúdos consumistas, seja de bens materiais ou de modus vivendi exportáveis através do cinema ou de fatos com proporções universalmente difundidos, como foi o caso da queda das Torres Gêmeas.

Comportamento ressabiado

Ao se referir aos bottons vendidos na 34th Street, Calligaris aponta para um fato relevante da comunicação social que é o culto a olimpianos, heróis necessários ao significado do inconsciente coletivo em qualquer sociedade, moderna ou de priscas eras, que já foi tão bem estudado pelo francês Edgard Morin no seu livro Cultura de Massas no século XX. Esses personagens, "mesclados na mesma coluna", nas palavras do cronista, na verdade, povoam o imaginário popular com grandes doses de efeito social, aferindo "projeção" e "identificação" aos comuns mortais que compõem as massas atingidas pela comunicação da cultura contemporânea.

Eu mesma, em outubro, adquiri alguns bottons do Obama e os distribuí para amigos brasileiros, quando voltei de lá, mas fiz questão de guardar um que considero antológico e me remete à minha adolescência de sonhadora com a igualdade entre brancos e negros. Nele, há os dois rostos, o de Obama e o de Martin Luther King, e uma frase expressiva: Change is what we need ("Mudança é o que nós precisamos").

Em torno da crônica do Calligaris, e das outras que a precederam, há uma aura de grande reflexão presente nas comunidades que compõem a sociedade norte-americana, composta de grande força de trabalho imigrante e de movimento intenso de capital internacional em sua economia. No plano sub-reptício, existe o que ele chama de "culpa branca", vinda de uma ancestralidade que escravizou os africanos e lhes legou comportamento ressabiado, em função de fatos que não foram privilégio da sociedade norte-americana, mas que se repetiram em países como o Brasil e tantos outros que usaram a mão-de-obra escrava em período literalmente negro de suas histórias.

O discurso e o real

Calligaris diz: "É cedo para que Barack Obama seja objeto de gozação, mas pensei no comic strip ao ler comentários sobre a mudança que a eleição de Obama traria às relações entre brancos e negros.

As pesquisas qualitativas mostram que, para a grande maioria da população branca, a cor da pele de Obama não foi um critério relevante. Não por isso é o caso de decretar o fim do preconceito racial. Mas um componente do preconceito foi abalado: a culpa dos brancos, que foi, se não lavada, no mínimo seriamente aliviada pela eleição de terça-feira. Poucos dias antes da eleição, estive no comic strip. Note-se que, em regra, o humor nova-iorquino ridiculariza as diferenças que convivem na cidade: irlandeses, italianos, porto-riquenhos, mexicanos e hispânicos em geral, russos, judeus ortodoxos etc., todos passam por brutais caricaturas. Paradoxalmente, a minoria que é mais poupada é a afro-americana, como se, nesse caso, a piada corresse o risco de parecer racista. É o efeito da culpa branca."

Dá para perceber que algo de novo acontece no reinado do Tio Sam, a tal mudança que precisamos já começa a mostrar seus efeitos, quando a sede de caricaturar diferenças se amaina e se refreia até em programas onde o cômico sempre se aliou ao sarcasmo zombeteiro. Outras mudanças vão se fazer sentir daqui para a frente entre eles e nós, que não escapamos ao sentido do conteúdo de uma comunicação reflexiva que provocará nos produtores de televisão, rádio, nos pauteiros e editores de jornais, uma nova postura quanto ao tratamento dado aos seus noticiários e informações.

Em programa na televisão carioca, por ocasião do Dia da Consciência Negra, assisti ao emérito professor Muniz Sodré, em preciosa intervenção, falar sobre a distância entre a teorização do discurso e o desafio da aproximação real entre as pessoas diferentes, com contatos de pele e de olhos, com superação de preconceitos além da razão, mas alinhados na emoção.

Rir ao mesmo tempo

Parece que os primeiros grandes passos nessa direção já foram dados. Se Obama é símbolo de mudanças nesse campo para que se possam dirimir diferenças entre seres humanos e eles possam obter melhor entendimento em seus negócios ou ações conjuntas, já é um avanço enorme, num mundo tão seccionado por disputas econômicas, religiosas ou raciais.

E registro um trecho do artigo citado, considerando que é um mote importantíssimo para que se reflita sobre a necessidade de mudarmos juntos e até podermos rir juntos, sem que nos sintamos culpados de séculos de opressão e injustiças. Neste parágrafo, Calligaris consegue resumir o sonho do melhor que o efeito Obama poderá infundir em mentes e corações de seu povo. Observem:

"Exemplo. Um dos comediantes, naquela noite, brincou com `o atraso da risada branca´: quando ele (hispânico) faz uma piada sobre os negros, os brancos riem com dez segundos de atraso. Não é que não entendam, mas eles só se autorizam a rir após verificar que os negros na platéia estão mesmo achando engraçado e rindo. Quem sabe, depois de Obama, brancos e negros possam rir ao mesmo tempo."

domingo, 18 de janeiro de 2009

Férias para o analista..e pra mim!!!


Hora de rearrumar a casa "interior".
Justamente no momento em que as obras da casa antiga estão quase concluídas e voltarei a morar lá. Virou casa rearrumada, por dentro, de verdade. E pedi férias ao analista. Por uns dois a três meses, tempo que preciso para acomodar os sentimentos nas duas moradas, a física e a psíquica, ele compreendeu bem.
Os objetos passam a ter vida nova, nem me reconheço nessa nova fase de vida, ando me redescobrindo, me reinventando, me reorganizando, há tantos espaços a preencher dentro dos meus sonhos ainda tão adolescentes, por mais que isso possa parecer piegas.
Hoje, me peguei revivendo meu dezembro quarentão, de 68, quando eu era uma menina cheia de ideais de justiça e liberdade. Como quarenta anos podem ter passado tão depressa?
Combinadas as nossas férias, eu e Arruda teremos mais uma sessão antes do Natal e ficarei atenta ao meu conforto emocional nesse período. Um bom exercício : me auto-referenciar para o mimo que necessito, a alegria de me cuidar e o desafio de me auto-agradar.
Pequenas coisas, como por exemplo, ter terminado o tapete de crochet para o meu novo banheiro, quando me senti orgulhosa do trabalho manual e do presente que fiz para mim.
Há a necessidade intensa de compreender que a vida da minha mãe velhinha é mesmo só dela, e me dispensar de pretensas culpas para os oitenta e poucos anos dela, que reclama que já virei sua mãe e isso não lhe agrada nem um pouco. Quanto ao filho entrante na casa dos trinta, dá gosto de ver como é lutador e responsável. Tem a maturidade tão protetora que me surpreende, e já é hora de me desfazer daquelas roupinhas de bebê que guardei por esse tempo todo. Vou doá-las, afinal o meu menino cresceu e eu andei parando no tempo para não me desgrudar daquela sensação de mãe feliz, que amamentava o filhote por mais de 3 anos.
Hoje, o tempo é outro, ele é um homem e pode até me dar netos, quem sabe, se resolver enfrentar essa responsbilidade que é ser pai.
Pois que o analista, mais uma vez, me dá passagem para meu crescimento. Já não sou a jovem do dezembro de 68, nem a mãezinha do bebê traquinas, aprendo a ser a mulher inteira de quase 60 anos, que vê tanto a fazer e tanto a aprender.
Se, durante as férias da análise, o meu potencial de rearrumar as casas me proporcionar a chance da redescoberta do amor, talvez sábio amor já tenha me encontrado antes, e esteja à espera de que eu apenas o reconheça. Provavelmente o sentimento que chamo de amor é bem mais doce que um beijo, é mais temperado que um talharim e é mais denso que um vinho rascante.
Estou pronta para tirar as férias do analista e dar férias ao próprio, já que a vida começa todo dia, é hora de recomeçar a viver as novas vidas que novas casas me oferecem.
Abrindo janelas e cortinas, deixando entrar luz, ouvindo as saudações dos vizinhos, ofertando sorrisos de paz, buscando solidão e quietude, em doses certas, com calma, usufruindo o verão, enquanto o mundo gira, e de 40 em 40 anos, meninas se olham no espelho e se aceitam como verdadeiras, fiéis aos seus sentidos de viver com paciência cada período de férias e qualquer recomeço.
Aparecida Torneros

Novos espaços para sermos felizes


Novos espaços para sermos felizes
Maria Aparecida Torneros da Silva



Novos espaços para sermos felizes Quando eu ouço " as canções que vc fez pra mim", na voz da Bethânia, e, suavemente, vou degustando frases concebidas por um Roberto antigo, que ainda fazia música para amores abandonados, fico pensando na eterna busca dos seres humanos que perseguem a tal felicidade. Saber equilibrar suas vidas interiores, reduzindo as tensões do dia-a-dia competitivo do mundo moderno, e, ao mesmo tempo, ter um lugarzinho interno muito especial, onde repousa a placidez do encontro com a essência humana, deve ser mesmo a luminosidade capaz de eternizar a plenitude da vida. Os braços transgressores de homens e mulheres se rendem ao desejo intenso de trocar afeto independentemente de sexo ou sensualidade. O lugar da arte, da literatura, da poesia, do cinema, do teatro, certamente, nas inquestionáveis saudades que invadem os corações qua ndo as criaturas se despojam dos status, das condições de seus estados civis, e se deixam levar somente pelos sentidos mais puros. Reler os versos de amor, de um poeta que prendeu nas palavras o próprio sentimento do mundo, nos faz aceitar a veracidade daquelas linhas saídas da alma voadora de um semelhante, em seu instante de recolhimento, sintonizando a transcendência dos corpos. Esculturas, pinturas, danças, vozes em canto, todos, sem exceção, se entranham nos poros das nossas peles, possibilitando as fugas necessárias para a certeza da finitude. O que fazer para minimizar a visão do sofrimento a que está fadada a humanidade, historicamente, pelas guerras e pelas pestes, pela incompreensão, pelo ódio e pela ambição? Na manhã invernal, eis que a luz do sol brilha sobre a relva molhada e fria, enquanto os olhares infantis estão repletos da esperança inocente de um futuro feliz. À volta, na espera do prazer da existência, voam pássaros e borboletas azuis, em arabescos, confirmam a dolorosa alegria de suas vidas tâo curtas, mas de encantamento tão intenso. Nossos olhos vislumbram a ilusão da vida, extasiados, embora. Queiramos ou não, a procura pela sensação de estarmos ou sermos felizes, nos é inerente e contingencial, quando, pela ciência, tentamos desvendar os mistérios profundos das razões de tudo. Criamos então, miticamente, amores possíveis e paixões impossíveis, como formas de temperar o vazio inexorável da morte que virá sempre um dia. Ao encontrar novos espaços para semos felizes, aí estarão os truques mágicos da mente humana a se fazer potente e soberana, nos colos amantes e nos suspiros reconfortantes. Bocas em beijos doces e sinceros, em algum momento, terão preconizado a efemeridade da existência que se contrapõe à eternidade da dúvida. Serei feliz na saudade como sou na busca. Seremos felizes na distância como nunca fomos na proximidade. Todos serão felizes nos lugares descobertos para apascentar as dores, inebriar-se de sorrisos amigos e perdoar os fins.