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terça-feira, 23 de agosto de 2011

MARIA BETHANIA - RECONVEXO

Tony Bennett - The Shadow of Your Smile (1966) いそしぎ

O século da mulher

O século da mulher

  • Terça-feira, 23 Agosto 2011 / 9:37

O século da mulher

                                                             Nizan Guanaes*
       Na noite do dia 13 de setembro, em Nova York, Tina Brown, uma das maiores jornalistas dos Estados Unidos, lança sua Women in the World Foundation. A Fundação Mulheres no Mundo visa mobilizar o mundo em torno dos problemas das mulheres e mobilizar as mulheres em torno dos problemas do mundo.
O que não falta no mundo de hoje são problemas enormes, e em muitos deles a mulher é o caminho mais curto e eficiente para resolvê-los. Como resolver o problema das drogas, da obesidade infantil, da Aids ou da gravidez precoce sem engajar a mulher?
Como expandir o microcrédito ou cobrar a melhora da qualidade de ensino sem o apoio da mãe de família? Como controlar a natalidade, questão fundamental num mundo sufocado, sem envolver a mulher? Dos dez maiores problemas da atualidade, na maioria deles a mulher é a solução. É a mulher quem organiza o lar, a família. Promover o desenvolvimento educacional e social da mulher é injetar desenvolvimento e prosperidade na veia.
Como filho, como marido, como padrasto e como amigo de grandes mulheres, abraço essa causa com absoluta convicção. O desenvolvimento das mulheres no mundo inteiro é o caminho mais rápido para o desenvolvimento do mundo. E a situação da mulher no mundo ainda é de absoluto desrespeito. Tratadas como bichos e escravas, trancadas em quartos e debaixo de burcas, exploradas sexual e economicamente, humilhadas e reduzidas, as mulheres no mundo estão longe das esplendorosas e emancipadas mulheres do cinema, das novelas ou das revistas de moda.
Flagro-me, às vezes, em piadas sexistas que são fruto de 53 anos e da sociedade onde nasci e cresci. E aquele pequeno Carlos Imperial que há dentro da minha idade só não se desenvolve porque, ao primeiro ato falho, ele apanha da Donata. É munido dessa consciência, desse mea-culpa, e dessa imensa fé no potencial transformador da mulher que me engajo na Women in the World Foundation.
Minha mãe, hoje com mais de 80 anos, se formou em engenharia civil em 1957, na Bahia. Foi uma visionária. E seus olhos visionários se tornaram meus.
Mesmo tendo ela nascido no Pelourinho, esses olhos sempre foram globais… E me ensinaram a não ter medo do mundo. Militante de esquerda, minha mãe me ensinou a compreender mais amplamente a história longe do sistema de castas da sociedade aristocrática da Bahia do meu tempo. Ela foi a primeira pessoa a me falar sobre o futuro da China (isso na década de 1970) ou sobre o Peter Drucker, o guru da gestão.
Hoje, ela enfrenta a grande noite do Alzheimer. Mas, se ela já esqueceu de tudo o que ela foi, nunca esquecerei o que ela representa. E, através de mim e de meus filhos, ela deixa sua marca no tempo. Sou eu quem escreve este texto, mas a caligrafia é dela. É por isso que acredito que, cuidando de cada mulher, escrevemos e reescrevemos milhões e milhões de histórias. Mas, para fazermos isso, é preciso mudar o padrão mental de nossa sociedade.
Independentemente da política partidária (virei ateu nessa área), o Brasil já deu um grande passo na política de gêneros ao eleger uma mulher presidente.
E acertarão a publicidade e as marcas que tiverem um entendimento claro da mulher, de seu novo papel e de seu imenso potencial. Dona Maria, a Malu Mulher da base da pirâmide, não quer só os produtos da cesta básica. Dona Maria quer beijar, quer ser jovem, quer unha bonita e o cabelo da Gisele.
E a filha da dona Maria quer falar inglês, trabalhar na Vale ou na Petrobras, ser transferida para uma subsidiária da companhia no exterior e trabalhar num projeto social da empresa para que outros filhos de dona Maria tenham a mesma chance que ela. Entender os anseios da cidadã, da mulher, da mãe, são desafios dos homens públicos, dos empresários, dos homens de marketing e de todos nós, homens em geral.
Tenho certeza absoluta de que, se algo pode mudar radicalmente o mundo e transformá-lo em um lugar mais justo e melhor de viver, esse algo é a mulher.
*Nizan Guanaes é publicitário e escreve na ‘Folha’.

sábado, 13 de agosto de 2011

Juíza Patrícia Acioli: marcada para morrer ou vestida para matar?



Juíza Patrícia Acioli: marcada para morrer ou vestida para matar?

O chocante assassinato da Juíza Patrícia Acioli, em Niterói, esta semana, crivada de balas, ao chegar sozinha em sua casa, é prova cabal do quanto uma sociedade pode estar refém dos "fora da lei", e até que ponto pode chegar o desafio de retormar os rumos para se acabar com a impunidade que permeia uma rede de malfeitores, corruptos e corruptores, dentro e fora dos poderes constituídos, numa complascência que se sente incomodata quando alguém apenas é sensato, cumpre seu dever e aplica a lei, como a juíza morta tinha fama de ser linha dura para com o crime organizado. Ela estava vestida com a toga que pretende "matar" as chances recorrentes dos criminosos oficiais ou oficiosos, daqueles que se gabam por aí, de não temer a justiça, a tal justiça que pode "até" se corromper, nalgum ponto frágil, possibilitando o exercício covarde de ataques mortais e odientos executados por encapuzados.

A ficção nos inunda sempre com histórias novelescas ou cinematográficas onde mulheres são vítimas ou mentoras de violência. Lembro de um filme, dos anos 80, intitulado Vestida para Matar ( Dressed to Kill) , do diretor Brian de Palma, com Michel Cainea e Angie Dickisnson, fortemente influenciado pela obra de  Alfred Hitchcock. Nele, uma
mulher vive um tórrido caso extraconjugal com um estranho e é morta a navalhadas por psicopata, ao deixar o amante. Com a ajuda de uma única testemunha, o filho da vítima tenta descobrir quem a assassinou.

A novela das nove traz a figura da Norma, atualmente em evidência, criatura que age dubiamente no tocante a ser conivente com a transgressão da lei ou se fazer de vítima da realidade que é ter cumprido pena sem ter sido culpada dos crimes que um tal personagem chamado Leonardo cometeu e lhe jogou nas costas. Nas voltas da vida que a novela  oferece aos telespectadores, a moça antes ingênua, torna-se ardilosa, talvez seja até mesmo a cúmplice perfeita para o criminoso frio de quem ela deseja se vingar, à primeira vista.

Mulheres vestidas para matar, mulheres marcadas para morrer, mulheres corajosas ao exercer seus direitos e deveres, mulheres que se escondem sob véus de hipocrisia, mulheres guerreiras para enfrentar discriminação , mulheres amedrontadas para decidir seu futuro, há uma plêiade de grande variedade entre nós, no tal mundo moderno, desde quando saímos às ruas, fomos para as universidades, fizemos concursos, ascendemos a postos de comando e decisão, assumindo responsabilidades e seus consequentes riscos.

Um artigo que li, já há algum tempo, assinado por Clóvis César Lanaro, diz o seguinte:

"Quando a sociedade é complacente com a violência, ou é culpada ou perdeu a esperança.
Quando a violência chega ao ponto de não fazer escolhas de ataque, quer chamar a atenção para algo mais profundo. E mais profundo do que a perda de uma vida.
E a que a violência quer chamar a atenção? Além de mostrar poder, a violência indiretamente mostra a hipocrisia da sociedade."


No caso da morte da Juíza Patrícia Acioli, de cuja vida pessoal sabemos muito pouco, apenas que tinha 47 anos, deixou três filhos e há apenas uma foto dela com semblante calmo e risonho, tirada talvez em algum momento em que seu coração se sentia pleno de vida bem vivida, vida normal, vida  conquistada com trabalho, com obrigações, com consciência tranquila do dever cumprido, mas, ela estava marcada para morrer, na lista dos magistrados que o crime organizado decide eliminar porque, naturalmente, devem representar impecilho para seus objetivos excusos, sua sede de ganhos atravessados, etc. etc.

O crime que vitimou Patrícia Acioli foi o primeiro registrado no Estado do Rio contra um magistrado em 260 anos. Alvejaram uma mulher, que foi assassinada exatamente assim,  assassinada assim, à queima-roupa, manchando de sangue a história da magistratura brasileira.


Não sei como ela estaria vestida na hora em que sucumbiu aos seus carrascos, mas imagino que estivesse bem trajada, talvez tivesse deixado a toga no tribunal, mas , com certeza, vestia o modelo ideal para fazer justiça com as armas que a Lei oferece à Sociedade, fazendo cumprir a tal Lei Soberana, Patrícia estava "vestida para viver",  e embora tenha sido atingida, sabemos que nós honraremos sua memória, clamando punição para seus algozes, seriedade para as investigações, exclusão para os que compactuam com o crime nas lides judiciárias e policiais, e, sobretudo, um fim para a  hipocrisia da nossa sociedade.


Patrícia, sua luta continua, porque é a luta de uma população que tem sensibilidade suficiente e é maioria. Os que a marcaram para morrer, podem até se julgar impunes e poderosos, mas são minoria e merecem que a justiça lhes sentencie cadeia!  
Cida Torneros

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Perhaps Love - Traduçao em Portugues

Se o Amor se vai...

Quem pensa que já agarrou o Amor com unhas e dentes, tá ferrado...porque o Amor é como os pássaros, o Amor pousa e voa...ele se vai...como dizem os budistas, que pregam sobre a impermanência das coisas, até dos sentimentos, lembrando que nada fica pra sempre, que é preciso praticar o desapego, nisso também falam os espiritualistas sobre a necessidade até de desprender-se do corpo físico para permitir que a alma busque nos umbrais... quem acha que Amor é posse, tá ferrado...Amor é empréstimo, nem sei bem definir isso, talvez seja só uma doação sem resgate, não há exigência de pagamentos ou juros, paga-se como se pode, como se quer, como se sente...depende da intensidade do sentido, talvez a eternidade do Amor, como pregou Cristo, seja o sonho maior e mais profundo de toda a humanidade, aquele pedaço de emoção que supera a razão e a doçura de imaginar um mundo além, onde todos os que amamos poderemos reencontrar  pra sempre... sonhar faz parte e é preciso...se o Amor se vai, ele faz falta, evidentemente, o Amor dos nossos pais, dos nossos irmãos, amigos, familiares, companheiros de vida em comum, maridos, esposas, namorados, apaixonados, quantos amores vamos vivendo sem muita consciência do seu prazo de validade e quantas vezes metemos os pés pelas mãos sem valorizá-los na época certa... cruzar com gente que lamenta amores perdidos é o que mais nos espera em cada esquina desta vida... mas, por que não identificamos que faz sentido é viver intensamente todo e qualquer Amor, em cada momento em que ele se apresenta... pode ser um sorriso, um olhar, um prato de sopa quentinha, um copo de vinho, um passeio pela orla da praia, pode ser que se divida um bom e carinhoso email, ou a leitura de um sensível poema, a atenção com uma canção emocionante, há tantas múltiplas maneiras de se vivenciar as manifestações inesperadas do Amor...
Há que viver tudo com a delicadeza de quem respeita a brevidade da vida, de quem se mantem alerta para aproveitar o Amor antes que ele vá... se o Amor se vai, melhor é que ele deixe saudades, mas nos tenha preenchido com a beleza dos grandes encontros...
Cida Torneros  

Roberto Carlos, música " Se o amor se vai. 1989 - Rede Globo